Dia do Empreendedorismo Feminino: Desafiador e Complexo
As mulheres empreendedoras são agentes de mudança que impulsionam e inspiram outras mulheres, gerando valor para toda a sociedade.
O Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino é uma data criada para valorizar o papel das mulheres empreendedoras e incentivar a sua participação no mercado de trabalho. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014 e é comemorada em mais de 140 países.
O cenário do empreendedorismo feminino no Brasil pode ser entendido como um ambiente complexo e desafiador, com potencial altamente significativo para o crescimento e desenvolvimento econômico. Isto se dá porque as mulheres empreendedoras desempenham um papel vital na criação de resiliência econômica, inclusão e independência financeira, contribuindo diretamente para a geração de empregos e inovação.
E neste ambiente complexo, vale destacar as maiores dificuldades enfrentadas pelas mulheres no Brasil:
- Acesso a recursos financeiros: Mulheres têm mais dificuldades em obter crédito, enfrentando preconceitos de gênero, falta de garantias e histórico de crédito.
- Equilíbrio entre vida familiar e profissional: Empreendedoras enfrentam mais obrigações domésticas e familiares, o que limita o tempo dedicado aos seus negócios. Em média, elas dedicam 17% menos tempo aos seus empreendimentos do que os homens.
- Acesso a modelos, mentorias e redes de apoio: As empreendedoras muitas vezes não têm acesso a mentores e redes de apoio que podem ajudar na expansão e fortalecimento de seus negócios. Apenas 17% dos cargos de presidência são ocupados por mulheres, destacando a escassez de lideranças femininas como referência.
- Acesso à informação e tecnologia digital: Limitações de acesso à internet e baixo letramento digital afetam especialmente as mulheres em regiões menos favorecidas.
- Fatores culturais: Estereótipos de gênero influenciam na escolha dos segmentos de atuação e nas percepções sobre a competência das mulheres, levando-as a atuar em setores de menor valor agregado.
- Formalidade x informalidade: Apesar de um percentual maior de formalização em relação aos homens, a informalidade ainda é prevalente, o que limita o acesso ao mercado e ao capital financeiro.
- Desigualdades regionais e raciais: Mulheres negras empreendem mais por necessidade e enfrentam maior informalidade e menor rendimento, com uma diferença média de renda de 32% em relação às mulheres brancas.
Vejamos este panorama desafiador em números:
- Quase metade das mulheres empreendedoras no país (42%) o faz por necessidade.
- Em 2023, entre os 47,7 milhões de brasileiros com intenção de empreender até 2026, as mulheres representaram 54,6%.
- Em 2021, mulheres que trabalham por conta própria ganhavam, em média, 20% menos que os homens.
- Apenas 3% das mulheres são empregadoras em comparação a 5% dos homens.
- A formalidade dos negócios de mulheres é de 23% para conta própria e 85% para empregadoras, em comparação a 18% e 72% para homens, respectivamente.
- No Brasil, 59% das empreendedoras negras dedicam menos de 40 horas semanais aos seus negócios, comparado a 49% das mulheres brancas.
- Os números de 2024 indicam mais de 10 milhões de mulheres à frente de seus negócios.
- 42% das empreendedoras brasileiras que solicitaram crédito tiveram seus pedidos negados em 2023.
- Startups fundadas por mulheres receberam menos de 12% dos investimentos de venture capital no Brasil em 2023.
- Apenas 17% dos cargos de presidência são ocupados por mulheres, destacando a escassez de lideranças femininas como referência.
3 motivos para que cada um de nós se engaje em virar esse jogo:
- 1. Contribuição econômica: O empreendedorismo feminino é um pilar para o desenvolvimento social e econômico, com as mulheres empreendedoras gerando empregos e sustentando a massa salarial.
- 2. Formalização crescente: As mulheres empreendedoras apresentam uma taxa de formalização maior do que os homens, o que demonstra uma tendência positiva em busca de estabilidade e acesso a benefícios sociais.
- 3. Vetor de transformação social: As mulheres impactam diretamente seu entorno, melhorando a vida da sua família e da sua comunidade. 49% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres.
Mudar o jogo, no entanto, não tem sido tarefa fácil.
É preciso mudar o ambiente ainda inóspito para as mulheres, para que o empreendedorismo feminino avance a passos largos. Cobrar políticas públicas dos governantes é uma das ações mais importantes que podemos tomar, quanto sociedade.
Porém, é possível tomar ações práticas no seu dia a dia que vão fazer toda a diferença para o seu negócio e ainda impactar positivamente o ambiente empreendedor para as mulheres.
Se você é líder ou empreende um negócio pode contribuir com as melhorias neste ambiente tomando ou indicando alguns direcionamentos, como:
- Programas de capacitação e conscientização sobre a igualdade de gênero;
- Salários equiparados para profissionais com as mesmas competências;
- Apoio após desligamento (off boarding) com indicações para envio de currículos e carta de recomendação;
- Auxílio às mulheres que retornam da licença maternidade;
- Contribuir com iniciativas que preparem as mulheres em situação de vulnerabilidade econômica e social para o empreendedorismo, como o Planeja Perifa®️, da Reciproka. De quebra, você ainda recebe créditos ESG que vão agregar valor à sua marca.
- Investir no empreendedorismo feminino contribui para o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (Igualdade de Gênero), além de impactar positivamente outros ODS, como o de redução das desigualdades (ODS 10) e trabalho decente e crescimento econômico (ODS 8). Isso posiciona a marca como um agente de mudança global, comprometido com um futuro mais justo e sustentável.

Ciclo Recíproko: Já nascemos ESG

Na Recíproka, todo projeto tem parte de seu investimento revertida para o Movimento Planeja Perifa: uma iniciativa voltada às mulheres das comunidades, que tem o objetivo de promover acesso a condições de trabalho e geração de renda por meio do desenvolvimento de habilidades de planejamento.
O movimento foi idealizado pela equipe da Recíproka, e garante controle de finalidade de investimento, além de gerar indicadores que são oferecidos de volta ao cliente como resultados de impacto e ESG prontinhos para serem comunicados.
Vem tomar um café com a gente e entender como você pode contribuir para a melhoria do ambiente de empreendedorismo feminino no Brasil!
Recíproka. Estratégias ágeis que geram impacto.
Escrito por Deusa Marcon, Co-fundadora da Recíproka Estratégia e especialista em inovação, startups e ESG.
Fontes:
IBGE, 2024.
Relatório de Empreendedorismo Feminino, Sebrae, 2024.
ONU, 2014.
Site CNN Brasil, 15/06/2021: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/mulher-empreendedora/
Blog do Sebrae, 2024: https://blog.rn.sebrae.com.br/empreendedorismo-feminino/#:~:text=J%C3%A1%20o%20relat%C3%B3rio%20t%C3%A9cnico%20do,%C3%A0%20frente%20do%20pr%C3%B3prio%20neg%C3%B3cio.
Panorama do Empreendedorismo Feminino no Brasil, Governo Federal, 2024: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor/elas-empreendem
GEM, 2023: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor/elas-empreendem
Instituto Rede Mulher Empreendedora, 2024: https://institutorme.org.br/lab-irme/